
Desmistificando a relação sexual das pessoas com mobilidade reduzida
O sexo na maioria das vezes é considerado tabu quando se trata da relação sexual das pessoas com mobilidade reduzida. As dúvidas sobre o assunto são muitas, entretanto, raramente são discutidas, seja por curiosos ou mesmo entre os cadeirantes. É por este motivo que a equipe do “Donos das Cadeiras” resolveu entrevistar um fisioterapeuta e um cadeirante para ajudar a desmistificar o assunto.
O sexo para as pessoas com mobilidade reduzida é possível sim e faz muito bem para a auto-estima das pessoas que o praticam, é o que diz a fisioterapeuta Mariana Cavali. Segundo ela, manter relações afetivas é sempre importante, “dependendo da lesão, o deficiente pode, e deve sim manter relações sexuais”.
Adelino Orzores, 53 anos, portador de necessidades especiais, garante que para ele o sexo é visto com naturalidade. Adelino sofreu uma lesão na medula cervical ao mergulhar e bater a cabeça no fundo do mar quando tinha 18 anos. Assim, ficou tetraplégico. Ele conta que após o acidente teve várias namoradas e atualmente vive um relacionamento estável que já dura 4 anos. “O sexo está ligado mais a cabeça do que ao próprio físico. Quando duas pessoas estão juntas se relacionando tudo é tranquilo, se você é bem resolvido, não existe diferença. Tem gente que não tem deficiência e é mal resolvida nessa questão”, afirmou Adelino.
Neste sentido, a fisioterapeuta explica que uma das principais barreiras que o cadeirante tem de enfrentar é o próprio preconceito. Ou seja, o cadeirante deve estar ciente de que ele pode levar uma vida sexual perfeitamente normal.
Mariana afirma que o sexo depende de estímulos psicológicos e as pessoas que têm mobilidade reduzida precisam se (re)descobrir e aceitar que existem outras formas de amar. “Estudei casos de mulheres com mobilidade reduzida que engravidaram e criaram seus filhos normalmente. O próprio corpo da mulher se desenvolve independente da questão da movimentação. Já para os homens, a ereção fica comprometida quando o sistema nervoso parassimpático é atingido. Quando isso acontece, alguns perdem a sensibilidade e a ereção se torna involuntária”, explica a fisioterapeuta.
Com naturalidade, o cadeirante Adelino fala sobre a curiosidade das pessoas, “algumas ficam curiosas, querem saber se funciona. O importante mesmo é não achar que sexo é tabu”.
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