segunda-feira, 22 de março de 2010

Flagrante de desrespeito no campus I da PUC Campinas

foto: Amanda Borsonello


Momentos antes da aula de Jornalismo Aplicado em Multimídia, nossa equipe flagra um estudante que desrespeita a vaga destinada aos portadores de necessidades especiais. O estacionamento possui outras vagas livres mas o motorista preferiu estacionar na vaga mais próxima a saída do prédio.

[Áudio] O que é feito pelos portadores de necessidades especiais em Campinas?

Beatriz Brandão, professora da faculdade de Arquiterura e Urbanismo da PUC Campinas e responsável pelo projeto de extensão "Guia de Acessibilidade de Campinas" comenta os principais obstáculos dos portadores de necessidades especiais na cidade.



sonora_beatriz_brandao by blogandre

Edição de entrevista concedida ao programa Diálogos realizado pelos alunos da faculdade de Jornalismo da PUC Campinas no ano de 2008: Amanda Borsonello, Camila Dalla Costa, Mariana Bottan e Ronaldo Mikelli

Desrespeito e preconceito


A vida nas grandes cidades apresenta-se cada vez mais desafiadora. As dificuldades trazidas pela falta de tempo, engarrafamentos ou poluição comprometem a qualidade de vida nas metrópoles e até em cidades do interior ou municípios menos povoados.
Esses desafios são multiplicados para pessoas que têm alguma deficiência física, como os cadeirantes. Obrigados a enfrentar desrespeito, hostilidade e falta de infra-estrutura, pessoas nesta situação passam por um verdadeiro martírio para poder trabalhar ou simplesmente sair de casa.
Uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) entre os anos de 1980 e 2000 aponta uma legião de 24,5 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Sem um tratamento digno, seja por parte dos governantes ou da sociedade que às escuras discrimina e exclui, sem se importar com as necessidades do próximo.
Analisando os números do IBGE e verificando a infra-estrutura de grandes cidades como São Paulo e Campinas, é possível verificar que existe pouco disponível a fim de facilitar a vida dessas pessoas. Existem ônibus, taxis e metrôs com rampas e elevadores de acesso, porém a grande maioria simplesmente ignora a existência dos cadeirantes.
Baseado nos dados da pesquisa, mostrando que 14,5% da população brasileira seja portadora de deficiência, foi criada a lei federal 8013/91 que estipula cotas de contratação de deficientes em empresas privadas. A empresa, com mais de 100 funcionários, deve ter no mínimo 4% de seu quadro de trabalhadores formados por deficientes. A simples criação de uma lei para obrigar os empregadores a contratá-los já demonstra o alto grau de preconceito, como se não tivessem o direito de trabalhar, ganhar seu próprio salário e ter uma vida mais digna.
Andando pelas ruas de Campinas é possível observar que existe um movimento de obras de adaptação nas esquinas e calçadas para a subida de cadeiras de rodas, bem como em prédios e construções públicas.. Porém uma simples rampa não serve de nada se a mentalidade das pessoas não for mudada, onde o próximo seja visto com mais seriedade.

Tetraplégica é protagonista em novela do horario nobre

Foto: Divulgação
Conheça Luciana, a personagem da “novela das oito” que trouxe a realidade dos cadeirantes à tona


A personagem Luciana, interpretada pela atriz Aline Moraes da Novela Viver a Vida de Manoel Carlos, foi quem nos inspirou no momento da escolha do tema do blog. Isto porque esta é a primeira vez em que a teledramaturgia brasileira traz o retrato da vida de uma cadeirante na posição de protagonista de uma novela do horário nobre brasileiro.

A personagem conta a história de uma modelo em início de carreira que fica tretaplégica após sofrer um acidente. Seu papel provoca discussão em torno da vida das pessoas com mobilidade reduzida. A novela mostra as dificuldades e os dramas tanto pessoais quanto sociais vivida pelos cadeirantes. Situações comuns no cotidiano das fontes que você está conhecendo nas postagens do blog.

domingo, 21 de março de 2010

O sexo como tabu



Desmistificando a relação sexual das pessoas com mobilidade reduzida



O sexo na maioria das vezes é considerado tabu quando se trata da relação sexual das pessoas com mobilidade reduzida. As dúvidas sobre o assunto são muitas, entretanto, raramente são discutidas, seja por curiosos ou mesmo entre os cadeirantes. É por este motivo que a equipe do “Donos das Cadeiras” resolveu entrevistar um fisioterapeuta e um cadeirante para ajudar a desmistificar o assunto.


O sexo para as pessoas com mobilidade reduzida é possível sim e faz muito bem para a auto-estima das pessoas que o praticam, é o que diz a fisioterapeuta Mariana Cavali. Segundo ela, manter relações afetivas é sempre importante, “dependendo da lesão, o deficiente pode, e deve sim manter relações sexuais”.


Adelino Orzores, 53 anos, portador de necessidades especiais, garante que para ele o sexo é visto com naturalidade. Adelino sofreu uma lesão na medula cervical ao mergulhar e bater a cabeça no fundo do mar quando tinha 18 anos. Assim, ficou tetraplégico. Ele conta que após o acidente teve várias namoradas e atualmente vive um relacionamento estável que já dura 4 anos. “O sexo está ligado mais a cabeça do que ao próprio físico. Quando duas pessoas estão juntas se relacionando tudo é tranquilo, se você é bem resolvido, não existe diferença. Tem gente que não tem deficiência e é mal resolvida nessa questão”, afirmou Adelino.


Neste sentido, a fisioterapeuta explica que uma das principais barreiras que o cadeirante tem de enfrentar é o próprio preconceito. Ou seja, o cadeirante deve estar ciente de que ele pode levar uma vida sexual perfeitamente normal.


Mariana afirma que o sexo depende de estímulos psicológicos e as pessoas que têm mobilidade reduzida precisam se (re)descobrir e aceitar que existem outras formas de amar. “Estudei casos de mulheres com mobilidade reduzida que engravidaram e criaram seus filhos normalmente. O próprio corpo da mulher se desenvolve independente da questão da movimentação. Já para os homens, a ereção fica comprometida quando o sistema nervoso parassimpático é atingido. Quando isso acontece, alguns perdem a sensibilidade e a ereção se torna involuntária”, explica a fisioterapeuta.


Com naturalidade, o cadeirante Adelino fala sobre a curiosidade das pessoas, “algumas ficam curiosas, querem saber se funciona. O importante mesmo é não achar que sexo é tabu”.


[Vídeo] - Dados sobre a acessibilidade

Eles são mais de 600 milhões de pessoas no mundo e reivindicam os seus direitos a acessibilidade desde de os anos sessenta. Como assegurar que o direito de acesso às atividades cotidianas sejam aplicados?

[Depoimento 1] - Milton Ferreira

Conheça o pai, esposo e atleta Milton Ferreira “Sempre notei a minha deficiência como se eu pedisse para que você subisse o Monte Everest e você não pudesse subir porque não está preparado, então eu não estou preparado”

sábado, 20 de março de 2010

As vagas estão lá, mas nem sempre são respeitadas

Vaga para deficiente em Campinas - foto Eduardo Guidini


"Eu parei rápido, não queria parar muito longe da entrada, e outra, não te interessa onde eu paro ou não paro" disse um homem que estacionou em uma vaga para deficientes, como essa da foto, em um hipermercado de Campinas, quando perguntado o por que havia parado em uma vaga exclusiva se, nem de longe, ele aparentava ser um deficiente.
Exemplos como este, presenciado por um de nossos redatores, são comuns em um país que, infelizmente, não tem o mínimo de respeito com as pessoas portadoras de alguma deficiência. Não é preciso andar muito por qualquer cidade do Brasil para achar exemplos de desrespeito com os deficientes, seja na estrutura das calçadas, na falta de rampas adequadas ou em vagas que deveriam mas não são ocupadas por essas pessoas.